
Por Patricia Gonçalves Bastos
A escola, talvez, tenha sido a principal referência em termos de espaços educativos, historicamente construídos. É na escola que as coisas acontecem, sejam elas boas ou ruins, “educativas” ou não...
Este é o espaço que as nossas crianças freqüentam, pelo menos, quatro horas diárias, um período razoavelmente, suficiente para que o aluno, a partir de estratégias pedagógicas, desenvolva as suas competências e habilidades. Este é o espaço que por muito tempo, foi considerado o “templo do saber”, como se somente ali, houvesse a possibilidade de aprender, de construir o conhecimento...
De certo, é necessário valer-se do entendimento de que a escola, apesar dos apontamentos polêmicos, que assistimos na TV e em eventos de todo tipo, é sim o principal espaço educativo formal, ou seja, que tem intenção direta de ensinar, de caráter formador.
Hoje, com um olhar mais crítico, compreende-se que o conhecimento acontece nas mais variadas áreas. E assim sendo, acontece também fora da escola. Candau (2000), sustenta esta idéia quando propõe a reinvenção da escola, no sentido de descentralizar a mentalidade de que somente ela, enquanto instituição educativa, poderá promover a construção do saber, a criticidade do pensamento e a abertura para o desenvolvimento intelectual, social e afetivo que outrora, eram práticas “próprias” dela, somente.
O que se pretende, com esta possível discussão, é facilitar e desenvolver um debate sobre a diversidade de lócus educacional que envolve toda a intenção educativa. Para a autora, acima mencionada, “a pluralidade de espaços, tempo e linguagens deve ser não somente reconhecida, como promovida. A educação não pode ser enquadrada numa lógica unidimensional, aprisionada numa institucionalização específica” (p. 13).
Portanto, o horizonte que se vislumbra tem o sentido de tornar as pessoas autoras das suas próprias histórias, que tenham consciência das suas funções sociais, dos seus princípios, valores, que sejam agentes de uma construção social política, crítica, pensante. E que os espaços para alcançar os objetivos propostos, sejam possíveis, sejam reinventados.
REFERÊNCIA:
CANDAU, Vera Maria (org.). Reinventar a escola. Petrópolis: Vozes, 2000